falar a sério a brincar *
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| foto: raquel santos |
escolhi uma foto pouco séria para escrever sobre um assunto sério. a verdade é que quando falo a sério, as pessoas pensam que estou a brincar. quando estou a brincar, as pessoas pensam que é a sério. mas depois lembram-se de quem sou. sinto que as pessoas não me levam a sério. também devem pensar que eu não consigo ter uma conversa séria, mas esquecem-se das quantas já tive. lá está, nessa altura eu estava a ser séria e provavelmente pensaram que eu estava a brincar. às vezes, até eu tenho dificuldade em me levar a sério. mas sei que posso ser séria. estou a ser agora. para ser sincera, nem sei se quero que me levem a sério. assim deixava de ser a rapariga brincalhona que consegue pôr toda a gente feliz com a sua energia, uma vez que anda sempre feliz. ou pelo menos transparece isso. algumas pessoas incomodam-se por eu ser demasiado alegre. mas se eu for triste, é isso que eu vou ser: triste. outras admiram o facto de eu estar sempre alegre. eu também. admiro a minha falsa inocência, a minha rara raiva, a minha tristeza invisível, e a minha capacidade de representar uma personagem feliz. já me chegaram a dizer que transpiro alegria, que tenho mel a correr nas veias... por isso é fácil detetar quando a tristeza que me enche ultrapassa um pouco o limite. é quase como um copo que vai enchendo até transbordar. as pessoas detetam facilmente, mas pouco se importam. porque afinal de contas sou eu quem anima as pessoas, logo, é o meu trabalho animar-me a mim mesma. é o meu trabalho, só isso. e até quando vai ser ?
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